terça-feira, 31 de março de 2009

Um Mestre que sabe empolgar seus discípulos


Um mestre que sabe empolgar seus discípulos

na visão de Therezinha Motta Lima da Cruz

Discípulo é muito mais do que platéia. Não é aquele que assiste passivamente ou que repete sem reflexão. Discípulo é quem se encantou com o mestre, quer crescer tendo-o como inspiração deseja contagiar outros, com o processo de descoberta que está mudando a sua vida. É esse o espírito que alimenta a proposta de 2009 como Ano Catequético Nacional, explicitada no tema: Catequese, caminho para o discipulado. O lema vai buscar apoio no relato emblemático dos discípulos de Emaús com Jesus: “Nosso coração arde quando ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”(Lc 24,32-35).
O texto de Lucas é cheio de detalhes reveladores. Começa dizendo que era “o primeiro dia da semana”. Ou seja, trata-se do nosso domingo, dia em que tanta gente vai à Igreja... mas será que todos se encontram mesmo com Jesus?
Os discípulos não estavam bem. A morte de Jesus parecia o fim lamentável de um sonho perdido. Jesus se aproxima e eles não o reconhecem. Quanta gente, dentro e fora de nossos templos, não reconhece Jesus e anda desanimada pela vida... Muitos como aqueles discípulos, até já ouviram a Boa Nova. Mas algo está faltando. Sabem coisas, conhecem doutrinas, mas de alguma maneira o que aprenderam não está funcionando. A Boa Nova é uma teoria, até bonita, mas não é ainda um fogo ardente, um impulso vital.
E Jesus, o que faz? Fica junto, ouve, caminha com eles, faz perguntas para que eles expressem seus sentimentos. Aqui estaria um recado importante para a nossa catequese e para todo o trabalho pastoral. Primeiro é preciso ouvir as perguntas. Muitas vezes estamos dando respostas sem saber quais são as indagações que a vida está fazendo a cada um.
“Eles pararam, com o rosto triste”- diz o texto de Lucas. Só estavam vendo na cruz um fracasso, uma decepção, diante de esperanças de uma vitória retumbante que, a seu ver, não havia acontecido. Hoje, muita gente quer um Deus que só conceda vitórias, e têm que ser vitórias bem mundanas, no estilo da teologia da prosperidade. Jesus é vitorioso, sim! É a maior vitória possível... mas, acontece de outro jeito. Precisamos de uma evangelização que veja as vitórias dentro do espírito do projeto do Reino.
Jesus, então, ensina. Fala dos profetas, mostra por onde passou o projeto de Deus que nele tem sua culminância. Situa o mistério da cruz num cenário mais amplo. Hoje, para termos verdadeiros discípulos, seria preciso aprofundar o conhecimento bíblico, perceber o fio condutor que perpassa os textos.
A essa altura, eles ainda não perceberam o que acontecia mas, já estão encantados. Querem que o companheiro de caminho fique com eles porque “já é tarde e a noite vem chegando”. Jesus fica... e faz algo mais: abençoa e reparte o pão, se revela num gesto eucarístico. Depois desaparece, porque vai estar presente agora de modo muito mais definitivo. A iniciação cristã, ainda hoje, culmina (mas não termina) na comunhão eucarística. É comunhão com o próprio Jesus mas, também com todo o seu projeto e com a multidão de necessitados com os quais ele sempre quis ser identificado. Os discípulos se dão conta de que o “coração ardia quando ele falava”. Mas não é “fogo de palha”, entusiasmo vazio. É um fogo que os leva de volta à missão, agora com fé e esperança para enfrentar as dificuldades e fazer novos discípulos.
Tudo isso vai ser refletido pelas comunidades no Ano Catequético. Esperamos que a metodologia de Jesus nos inspire e nos prepare também para fazer discípulos conscientes, ativos e apaixonados pela missão.

Coordenação Paroquial dos Grupos de Famílias
Marlene K Colombo

O Ano Paulino na visão de D. Orlando Brandes

Refletindo sobre o ANO PAULINO com Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina-PR

O ANO PAULINO Reforçará o ANO Catequético
ANO PAULINO é ano de conversão. É um ano que vem dar impulso, motivação e um “salto missionário” para a Igreja em estado permanente de missão.
O ANO PAULINO PARA SER um encontro, um acontecimento, uma experiência. para ser verdadeiro e eficaz, deve nos levar a Leitura Orante da Bíblia. SOMENTE ASSIM, deixará de ser apenas uma teoria, uma doutrina e ajudará para um relançamento da iniciação cristã na catequese e na vida da Igreja.
A vida de Paulo é uma trajetória que contem todos os elementos da iniciação cristã: encontro com Cristo, conversão que brota da fascinação do encontro, inserção na vida da comunidade, conhecimento bíblico e doutrinal sempre em processo de crescimento e decisão pela vida missionária. Paulo é um fundador de comunidades, verdadeiro protetor dos grupos de reflexão, da Igreja nas casas.
O ANO PAULINO é um reavivamento da ética cristã. É a ética do seguimento de Jesus, ética do discipulado, da vida no Espírito e não na carne. Temos em Paulo uma decidida ética sexual, matrimonial, familiar e social. “A fé sem obras é morta” (Tg 2,20) e “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1) Nossa cultura voltou ao paganismo pela idolatria, imoralidade, consumismo e individualismo.
A “ciência da cruz” tem em Paulo um discípulo fiel. Os sofrimentos fizeram dele um mestre da teologia da cruz. Paulo é uma personalidade invejável que tem energia indomável, obstinação missionária, vontade férrea, ternura de mãe, calor humano, mística e oração.
O ANO PAULINO tem tudo para fortalecer-nos na espiritualidade e mística da dor em favor da salvação dos irmãos, da glória de Deus, do testemunho dos mártires, da intrepidez missionária.
Paulo é catequista, pregador, teólogo, pedagogo, estrategista. Catequiza nas cidades e periferias, nos templos e nas casas, prepara catequistas e pregadores, sabe inculturar a mensagem, sofre pela fidelidade à sã doutrina, corrige os erros, anima os catequistas, trabalha com seus colaboradores e ganha o pão com suas mãos.
Paulo catequiza com sua vida, sofrimentos, escritos e na cadeia escreve livros de catequese. É um catequista convertido, discípulo, perseguido, prisioneiro, viajante, sofredor, orante, místico, teólogo. O ANO PAULINO consolidará o ANO Catequético e toda a catequese.
Coordenação Paroquial dos Grupos de Famílias
Marlene K Colombo

O Ano Paulino na visão e D. Joaquim Gonçalves

Refletindo com D. Joaquim Gonçalves –Bispo de Vila Real sobre o Ano Paulino...
Com o intuito de estimular a leitura das cartas de Paulo aos cristãos de Corinto, uma das cidades por ele evangelizadas juntamente com Atenas, Éfeso, Roma e outras.
Este ambiente de grupos sociais, de espiritualidades filosofadas e de anarquia sexual, era, por si só, suficiente para deixar hesitante qualquer apóstolo. Pois é a esta multidão, heterogênea e desorientada, de meretrizes e rufiões, que Paulo vai anunciar a pessoa de Cristo morto e ressuscitado! Permaneceu aí dezoito meses e até foi bem sucedido, pois o ceticismo e a confusão abriam os espíritos «para mais um culto». As dores de cabeça vieram depois quando foi necessário organizar a vida pessoal de cada cristão e da comunidade.
De Corinto escreveu Paulo a carta aos Romanos onde descreve em termos duros a corrupção dos gregos (Rom 1,16,18-32) e, mais tarde, repreenderá os coríntios cristãos enviando-lhe uma carta de Éfeso quando aí se encontrava (1Cor 5; 6; 10). Paulo não se limitou a despejar sobre os Coríntios maldições de Sodoma e Gomorra, mas procurou educar-lhes a sensibilidade e a inteligência recorrendo à imagem das corridas no estádio e, a partir da ressurreição de Jesus, proclamou a dignidade do corpo como templo do Espírito Santo. Mais tarde faria o mesmo acerca da escravatura ao introduzir na reflexão a dignidade da pessoa.
Os «grupos rivais», as «espiritualidades sentimentais» e «anarquia sexual» constituíam o tecido social de Corinto. As grandes cidades de hoje não andam longe deste cenário, e não é novidade para ninguém que tudo o que se relaciona com a sexualidade enche hoje páginas de livros e jornais, revistas de fim-de-semana. As imagens e textos na Net parecem as novas ruas de Corinto. A desorientação sexual é fonte de negócio em noites de sexta e sábado e tardes de Domingos, de viagens turísticas, de indústrias farmacológicas e clubes de «investigadores», de feiras e festivais eróticos, e agora de leis civis. Afinal, nada disso é progressista, mas simples repetição do passado.
Há, porém, entre o mundo helênico e o nosso uma diferença cultural: a desordem sexual das cidades gregas evangelizadas por Paulo tinha um resto de sacralidade pagã, ao passo que hoje ela alimenta-se do laicismo triunfante e do pretenso estatuto «científico» e do «direito à liberdade» e aos «afetos individuais». Reveste até uma conotação de militância política e ideológica, desviando os cidadãos de uma reflexão serena e objetiva, aliciados pelo caráter de «novidades» e «liberdades». Para todos os pais e educadores, pastores da Igreja e médicos, enfermeiros e assistentes sociais, esta onda constitui um desafio.
Dentro da dinâmica pastoral proposta pelo Ano Paulino, o leitor leia devagar as duas cartas aos Coríntios que retratam os três males da comunidade: «grupos rivais dentro da Igreja», «tendência para espiritualidades sentimentais» e «anarquias sexuais» (1ª Carta aos Coríntios, sobretudo 1, 10-16; 5; 6,12-20). A esses três desvios Paulo respondeu com três propostas para a comunidade cristã: a Igreja como «corpo» variado e unido sem ser uniforme, os «carismas e ministérios» na Igreja, e o «sentido pascal do corpo humano» no casamento e na vida consagrada.
Faça o paralelo da «pastoral de Corinto» com o nosso tempo: Que grupos apostólicos há nas paróquias e que união existe entre eles? Que devoções e obras de espiritualidade? Que movimentos de educação da afetividade sexual?
Na base daqueles três desvios dos coríntios estava o egocentrismo de pessoas e grupos, da afirmação pessoal. É a hora de remover essa mentalidade e de preparar os mais capazes, de cultivar as várias devoções, e de fazer a educação da complementaridade afetiva da pessoa humana no casamento e na família. Nascerão assim as comunidades previstas no Vaticano II, «a Igreja de carismas e ministérios» que sucede à Igreja de «multidões caladas e inertes diante do Pastor» (1Cor 7;12;14). Haverá dores de cabeça, mas é esse o caminho a seguir (2Cor 6,11-18;13).

Coordenação Paroquial dos Grupos de Famílias
Marlene K Colombo

Refletindo com Dom Gil Antônio Moreira

REFLETINDO COM DOM GIL ANTÔNIO MOREIRA – BISPO DE JUNDIAÍ

A celebração do ANO PAULINO cuja abertura aconteceu no dia 28 de junho de 2008 e terminará em 29 de junho de 2009, tem como principal objetivo a evangelização. A decisão vem do Santo Padre, o Papa Bento XVI, com o objetivo de celebrar os dois mil anos de nascimento do primeiro grande missionário da fé cristã. Talvez, a palavra mais incisiva para a vivência deste ANO jubilar, seja a de Paulo aos Coríntios: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9,16).
Estamos todos em processo de evangelização contínua, católicos e não católicos, e somos chamados a comunicar o evangelho de Cristo, morto e ressuscitado, aos que ainda não crêem e aprofundá-lo no coração dos que já crêem. São Paulo é considerado o primeiro teólogo do cristianismo, sendo seus textos, básicos para toda a teologia posterior. Foi o primeiro escritor da fé cristã, através de cartas que enviava às comunidades, a fim de ensinar, animar a fé, corrigir distorções doutrinais e reconduzir ao bom caminho, os que moralmente claudicassem.
Coordenação Paroquial dos Grupos de Famílias
Marlene K Colombo

Evangelizar através da rede de Comunidades

Quaresma: evangelizar através da rede de comunidades
BELÉM, sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Por ocasião da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil, que durante a Quaresma discutirá o tema da Segurança Pública e da Justiça, o arcebispo de Belém (norte do país) pede que os católicos trabalhem por meio da rede de comunidades, para fortalecer a evangelização e ficar mais próximos das pessoas.
Em artigo difundido por sua arquidiocese nesta semana, Dom Orani João Tempesta explica que um dos trabalhos necessários para uma melhor evangelização é justamente a constituição daquilo que se chama «rede de comunidades».
«Isto significa que, além da Igreja Matriz, das Capelas, dos Grupos de serviço, dos Movimentos e das Pastorais, as Paróquias constituem pequenos grupos que se reúnem nas residências de todas as ruas das paróquias para refletir, pelo menos semanalmente, textos bíblicos iluminados pela realidade de cada lugar e região.»
Dom Orani explica que na arquidiocese de Belém a rede de comunidades recebe vários nomes conforme foi o tempo e o momento de sua constituição.
«Temos grupo de evangelização, pequena comunidade, comunidade eclesial, grupo de reflexão, setor missionário e tantos outros nomes que, de maneira geral, significam quase a mesma coisa, embora tenham vindo de experiências diferentes.»
O arcebispo considera que a Campanha da Fraternidade é um momento «em que todos esses grupos, comunidades, movimentos e carismas deverão se empenhar».
«Não podemos nos contentar apenas com os trabalhos que efetuamos em nossas matrizes e capelas: é momento de jogar as redes em águas mais profundas», afirma.
Dom Orani enfatiza que trabalhar com a rede de comunidades «irá nos ajudar a fortalecer a evangelização, chegar mais próximos dos irmãos e irmãs e difundir a necessidade de unidade neste tempo em que temos tantos problemas de violências e tantas insatisfações pela realidade do mundo de hoje».
«Mais do que nunca necessitamos estar juntos nessa preocupação de encontrar caminhos para a paz e para a justiça em nosso meio», destaca.
O arcebispo indica que as pessoas «se organizem para formar, onde ainda não existem, as pequenas comunidades ou grupos de reflexão, que aprofundem os assuntos da Quaresma e Campanha da Fraternidade».
«Desejo que nenhuma rua, travessa, passagem, avenida, prédio, condomínio, bairro, fique sem essa reflexão pelo menos durante o tempo da Quaresma», afirma.«Para que isso aconteça é necessário que muitos que hoje apenas se reúnem nas igrejas e nas capelas procurem servir outros irmãos com o conhecimento que adquiriram ajudando-os no encontro com Deus e na missão de levar a todos a Boa Notícia da Salvação.»

Colaboração do Pe Vilmar

Pontuando alguns aspectos da C.F.2009

DIOCESE DE CRICIÚMA
PARÓQUIA N. S. DA SALETE
FEVEREIRO DE 2009 -


FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA
“A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA”





PONTUANDO ALGUNS ASPECTOS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2009 E A CULTURA DA PAZ





Como seres históricos, somos inseridos e condicionados numa realidade com dimensões: social, política, cultural, econômica e religiosa. Fazemos parte de uma sociedade com organização e problemas próprios. Essa sociedade atua sobre nós e se não interagimos, positivamente, com ela corremos o risco da delinqüência ou da exclusão. Agir positivamente significa elaborar projetos sócio-transformadores e colocá-los em prática.
A nós compete exercer a cidadania, participar na construção do bem comum utilizando todos os meios legítimos que estiverem ao nosso alcance, assumindo a responsabilidade de contribuir para que a cultura do povo torne-se um caminho que conduza ao bem de todas as pessoas.
É possível se construir uma sociedade nova, livre, com gestos que criam estruturas solidárias e não excludentes, com a organização popular e através das lutas de libertação. A participação de todos na distribuição dos bens deve ter como critério fundamental a justiça pela qual seja a todos garantido o acesso a eles. “Hoje, o acúmulo de bens gera relações de poder e manipulação de pessoas, e o bem pessoal é tido como mais importante que o bem comum”. A sociedade tornou-se insegura, o conflito social se generalizou, instalou-se a lógica do ódio e da vingança materializando-se na pedagogia da violência, assumida pelo próprio Estado.
O conflito em si não é nocivo. Ele pode ser sadio quando para melhorar a vida das pessoas revela a necessidade de algo novo que supere contradições e visões reducionistas ou distorcidas da realidade. Todavia pode ser nocivo quando encarado de forma radical ou imatura, sem abertura para o diálogo torna-se fonte de violência e insegurança social.
A superação dos conflitos exige capacidade de diálogo; legitimidade de instâncias mediadoras; identificação do problema real; delimitação da questão; clareza de critérios de análise; distinção entre consenso e demanda; compromisso com as decisões tomadas; compromisso ético.
Para prevenir conflitos é necessário vivenciar a paz, como valor profundo, no íntimo de cada pessoa, pois só assim a paz poderá estender-se à família, a comunidade, a sociedade em geral. A cultura da paz se baseia nos pressupostos do respeito à vida e a sua dignidade; na prática da não-violência em todas as suas formas ( física, sexual, psicológica, econômica e social); na prática da generosidade para acabar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica; a defesa da liberdade de expressão e da diversidade cultural; a promoção do consumo responsável e de um desenvolvimento econômico que preze o equilíbrio no uso dos recursos naturais do planeta; a plena participação das mulheres na vida social e o respeito aos valores democráticos.
Nossa sociedade não tem como fundamento principal a pessoa humana, mas sim o poder econômico, segundo o qual tudo deve contribuir para o lucro. Até o medo que é um importante elemento para a preservação da vida humana se torna, necessariamente, uma fonte de lucro. A indústria do medo se impõe onde o Estado deixa de ser garantia de segurança. Então o medo vira interesse e passa a ser manipulado por grandes proprietários, empresários, banqueiros, mídia, políticos, traficantes e todos que não tem como explicar a origem do poder e da riqueza.
Uma sociedade quando fundamentada meramente em valores materiais cria a necessidade de conquistar por todos os meios, lícitos ou não o enriquecimento e o acesso a privilégios. E como se atribui pouco valor a pessoa humana, o pobre também é desvalorizado perante a lei e o sistema. São os desvalores de uma sociedade elitista, materialista consumista que também legisla a desigualdade penal (prisão especial, foro privilegiado, imunidade parlamentar estendida a crimes comuns) crimes contra a ética, a economia e a gestão pública que geralmente ficam impunes no País.
Faz-se necessário, portanto, garantir os direitos humanos, vencer a lógica da violência, assegurar e elevar a qualidade de vida, promover a igualdade, ampliar o espaço de cidadania, superar o medo, o ódio, a falta de respeito, a lógica da vingança, da hostilidade.
Só se tornarão visíveis os sinais de esperança a partir da tomada de consciência a respeito da dignidade humana e de seus direitos, que fundamentarão iniciativas solidárias e de transformação social sem o uso da violência, mas a partir dos mecanismos de uma sociedade democrática capaz de promover a transformação social.

A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA




Marlene K. Colombo
Coordenadora Paroquial dos Grupos de Famílias

Refletindo com Pe Antônio Carlos sobre Fraternidade e Segurança Pública

FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA na visão do Pe Antônio Carlos



A crise financeira mundial atual está a lançar sinais preocupantes para os próximos anos. Como cristãos comprometidos nos preocupamos com o futuro das famílias mais carentes e dos países mais pobres.
Estamos a viver a maior crise financeira mundial desde há mais de 70 anos. Tudo começou nos Estados Unidos da América com a falência de grandes bancos e seguradoras. Foi o suficiente para arrastar outros bancos da Europa e provocar uma quebra nas ações das bolsas por todo o mundo.
Numa tentativa de contrariar esta onda de pessimismo e desconfiança em relação à economia, os governos saíram em auxílio dos bancos para os salvar da falência. Os Estados Unidos lançaram um plano de 700 milhões de dólares. O mesmo têm feito, outros governos, um pouco por todo o mundo.
Muitas vozes se têm ouvido contra estas «injeções» de dinheiro nos já ricos bancos e banqueiros. Os bancos são à base da economia e daí que «se os bancos falissem, não apenas desapareceriam as nossas poupanças, mas com elas acabariam muitos negócios e empregos. A crise econômica seria terrível e, como acontece sempre, são os pobres quem mais sofrem. Por isso, a intervenção é necessária», justifica o economista João César das Neves.
Como cristãos empenhados nas questões de justiça e paz, preocupamo-nos acima de tudo, com os efeitos negativos que esta crise poderá ter sobre as famílias mais carentes e os países mais pobres do mundo.
A FAO, Organização para a Alimentação e Agricultura, já alertou para o fato de a crise financeira ir certamente agravar a falta de comida no mundo. Muitos agricultores deixarão de cultivar as suas terras, do que resultará uma quebra nas colheitas, lançando milhares de pessoas na fome.
Olhando para Portugal, o panorama não se apresenta muito promissor. As instituições de solidariedade social, como o Banco Alimentar contra a Fome, já vieram a público dizer que tem aumentado o número de pessoas a pedir ajuda junto desses organismos devido ao aumento do preço dos alimentos e dos juros a pagar pelos empréstimos. O mais preocupante é que muitas dessas pessoas têm emprego, mas o seu salário não chega para todo o mês. Um dado novo é que as classes médias, as mulheres e as crianças serão as mais afetadas.
Ao mesmo tempo, que tomamos conhecimento desta realidade, foi divulgado um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento) que aponta para o aumento da diferença entre ricos e pobres em Portugal. Este país aparece ao lado dos Estados Unidos em matéria de má distribuição dos rendimentos e só está à frente da Turquia e do México.
Qual deve ser, então, a nossa resposta e atitude, como Igreja e cristãos comprometidos, perante este cenário tão pessimista?
Não cabe à Hierarquia, mas sim aos leigos dar soluções técnicas e econômicas. Essa é a tarefa dos governos e das instituições financeiras. Já a contribuição de todos, a nível pessoal e comunitário, passará muito pela vivência de um estilo de vida mais sóbrio que privilegie a pessoa humana, o cuidado da Natureza e a prática da solidariedade.
Há nível global, a comunidade internacional deve cumprir as suas promessas de ajuda aos países mais pobres, apesar da atual crise financeira, como têm defendido a ONU e o Vaticano. Foi isto que afirmou o cardeal Renato Martino, da Comissão Pontifícia Justiça e Paz: «Todos devem colaborar para o bem de todos... Impõe-se a necessidade de solidariedade também para com os países mais pobres.»
Coordenação Paroquial dos Grupos de Famílias
Marlene K Colombo